A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) uma importante redução de 14,2% no preço do Querosene de Aviação (QAV), marcando a primeira queda em quatro meses após um período de três aumentos consecutivos. Esta variação representa um alívio financeiro imediato, com uma diminuição de R$ 0,93 por litro nas bombas. Nas refinarias da companhia, os novos valores do combustível essencial para aeronaves situam-se agora entre R$ 5,48 e R$ 5,69 por litro, oferecendo um fôlego bem-vindo e muito aguardado para o setor aéreo nacional.
O QAV, um derivado do petróleo crucial para o abastecimento de aviões e helicópteros, exerce um peso considerável nas operações das companhias aéreas, correspondendo a 45% de seus custos, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A medida da Petrobras surge em um contexto de desafios, com o preço do QAV acumulando uma alta de 54,5% (equivalente a R$ 1,98 por litro) desde janeiro deste ano. Os aumentos anteriores foram justificados pela escalada das cotações internacionais e pelo impacto do conflito no Oriente Médio, que afetou o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. A atual redução, por sua vez, reflete uma “atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais”, conforme comunicado pela estatal. A Petrobras assegura que sua política de preços, baseada em uma “fórmula paramétrica contratual”, “funciona como amortecedor de curto prazo”, resultando em reajustes mais moderados e competitivos em comparação com o mercado global, onde as flutuações podem ser diárias.
Para além da iniciativa da Petrobras, o governo brasileiro tem implementado medidas complementares de apoio ao setor. No último sábado (30), foi anunciada a prorrogação por dois meses da desoneração do PIS/Cofins sobre o QAV, estendendo o alívio tributário até 31 de julho. Adicionalmente, companhias aéreas receberam uma carência para o pagamento de tarifas de navegação aérea, com os valores de julho, agosto e setembro sendo postergados para quitação em dezembro. A Petrobras também reforçou que manterá a possibilidade de parcelamento da compra do QAV em seis parcelas mensais, medida introduzida em abril que visa diluir o impacto financeiro e favorecer a adaptação gradual do mercado. Com os volumes de QAV para junho já confirmados e sem risco de desabastecimento, e um mercado aberto à concorrência mesmo com a predominância da estatal na produção (cerca de 85%), as recentes ações conjuntas sinalizam um cenário mais estável e promissor para a aviação nacional.

