O Tesouro Direto, programa que democratiza o acesso a títulos públicos, anunciou um marco significativo para o mês de abril, registrando a maior venda já vista para este período na série histórica. Com um volume impressionante de R$ 8,55 bilhões em papéis comercializados, o programa demonstra a contínua confiança dos investidores brasileiros. Embora este montante represente uma retração de 42,2% em relação ao recorde histórico de vendas de março, que totalizou R$ 14,79 bilhões, a queda é explicada principalmente pelo vencimento de R$ 7,07 bilhões em títulos corrigidos pela Selic no mês anterior, que não se repetiu em abril. Em contrapartida, a performance de abril de 2024 supera em notáveis 20,6% o volume registrado no mesmo período do ano passado, solidificando a trajetória de expansão do Tesouro Direto.
A análise da preferência dos investidores revela uma forte inclinação para papéis atrelados aos juros básicos da economia. Em março, 55,4% das vendas foram de títulos vinculados à Taxa Selic, enquanto os indexados à inflação (IPCA) atraíram 24% e os prefixados, 13,1%. Os recém-lançados Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+, focados em planejamento de longo prazo para aposentadoria e ensino superior, representaram 4,9% e 1,9% das vendas, respectivamente. Esse interesse nos títulos pós-fixados é justificado pelo atual patamar da Taxa Selic, que, mesmo em 10,5% ao ano, continua a oferecer atrativos retornos. A expectativa de alta da inflação também impulsiona a busca por títulos indexados ao IPCA, visando a proteção do poder de compra. Ao final de abril, o estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 242,26 bilhões, um aumento de 3,34% em relação a março (R$ 234,42 bilhões) e expressivos 41,99% comparado a abril do ano anterior (R$ 170,86 bilhões). Este crescimento é resultado tanto da correção por juros quanto de um saldo positivo entre vendas e resgates, superando em R$ 5,16 bilhões no último mês.
O programa continua a atrair novos participantes, com 226.677 novos investidores em abril, elevando o total para 35.324.665. Nos últimos 12 meses, o número de investidores acumulou alta de 9,69%, com 3.472.053 investidores ativos, um incremento de 16,36% no mesmo período. A democratização do investimento é evidente na participação de pequenos aplicadores: 78% das 938.747 operações de vendas em abril foram de até R$ 5 mil, com 55% delas concentradas em valores de até R$ 1 mil. O valor médio por operação ficou em R$ 12.083,06, indicando a acessibilidade do Tesouro Direto. A preferência por prazos mais curtos também se destaca, com 62,6% das vendas de títulos com vencimento em até cinco anos. Este cenário reforça o papel do Tesouro Direto como um pilar essencial para a captação de recursos do governo e uma ferramenta robusta para o planejamento financeiro do cidadão brasileiro, adaptando-se às dinâmicas do mercado e às necessidades dos investidores.

