Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil, classificou como “extremamente injusta” e “totalmente descabida” a recente proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A iniciativa americana sugere a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentada na polêmica Seção 301. Em resposta contundente, Alckmin assegurou que o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, é um “patrimônio nacional” e não fará parte de qualquer negociação com Washington, sublinhando seu caráter benéfico e sem custos para a população. O governo brasileiro, segundo ele, intensificará os esforços diplomáticos para reverter essa recomendação antes de sua formalização pelo presidente Donald Trump.
Em coletiva de imprensa em Brasília, o vice-presidente reiterou a blindagem do Pix, enfatizando que ele “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”, sendo uma “conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia”. Alckmin também refutou categoricamente os argumentos de Washington sobre um suposto desequilíbrio comercial. Ele apontou que, no ano passado, a balança de produtos e serviços somou um superávit de US$ 40 bilhões *para os Estados Unidos*. Além disso, destacou o protecionismo americano, citando o setor açucareiro, onde o Brasil enfrenta uma cota de apenas 150 mil toneladas e uma sobretaxa de 80% sobre o excedente. Em contraste, a tarifa média brasileira sobre importações norte-americanas é de 3,1%, com oito dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil usufruindo de alíquota zero. O vice-presidente ainda lamentou a atuação de “falsos patriotas” e “sabotadores” internos, cujos interesses eleitorais, segundo ele, prejudicam o avanço das negociações e os interesses do país.
A agenda ambiental brasileira, também mencionada pelo USTR, foi defendida por Alckmin com dados robustos. O Brasil, segundo ele, registra a maior queda no desmatamento recente, com uma redução superior a 50% na Amazônia e a maior retração nos últimos sete anos nos seis biomas do país, reforçando o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030 e o histórico de sediar a COP30. Diante do cenário, o governo brasileiro prioriza o diálogo técnico bilateral para mitigar ou reverter a taxação até o prazo limite de 15 de julho. Recentemente, encontros de alto nível, como a reunião de três horas entre o presidente Lula e o presidente Trump em 7 de maio na Casa Branca, demonstram essa busca por solução. Ministros como Márcio Fernando Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) buscarão alinhar reuniões com o embaixador Jamieson Greer (USTR) em Paris, durante o conselho ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira, consolidando a estratégia diplomática.

