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Bioeconomia Amazônica: Finep Investe R$ 15,2 Milhões na Inovação da Cadeia Produtiva da Malva

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou um aporte estratégico para a estruturação e modernização da cadeia produtiva da malva na Amazônia. O projeto, que receberá um investimento total de R$ 25,7 milhões, terá R$ 15,2 milhões – o equivalente a 60% do valor – subsidiados diretamente pela Finep, conforme previsto no edital Finep Amazônia – Subvenção Econômica à Inovação em Fluxo Contínuo – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional. A iniciativa, proposta pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), uma empresa com quatro décadas de experiência no Pará na produção de artigos de juta, visa transformar a fibra nativa em têxteis de maior valor agregado, impulsionando a bioeconomia regional.

A malva, planta abundante na Amazônia, é tradicionalmente cultivada por famílias ribeirinhas em áreas de várzea, onde as sementes são lançadas nos leitos dos rios durante a vazante e a colheita ocorre no início da cheia. Após o corte, as plantas são deixadas de molho por cerca de dez dias para amolecer, e as fibras são extraídas e secas em varais artesanais. Historicamente utilizada em sacarias agrícolas, cordas, tapetes e estofamentos, a fibra ganhou projeção internacional recente quando a atriz Alice Carvalho exibiu um vestido feito de juta e malva pela CTC na cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos. Contudo, o setor enfrenta desafios significativos, como pontuou Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, citando o baixo índice de tecnificação desde o plantio até o beneficiamento, além da falta de infraestrutura adequada para colheita, transporte, secagem, prensagem e armazenamento, que resultam em riscos e prejuízos aos produtores e um mercado consumidor restrito. O projeto da Finep busca reverter esse quadro, introduzindo tecnologias para aprimoramento de espécies, criação de maquinário específico para colheita e separação de sementes, desenvolvimento de infraestrutura digital para gestão do cultivo, avaliação de mecanismos financeiros para produção em escala e a consolidação de negócios comunitários piloto.

Com o objetivo principal de melhorar as condições de trabalho, aumentar a produtividade e ampliar o mercado consumidor, o projeto é um catalisador para a inovação e o desenvolvimento sustentável. Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, ressaltou a importância desse apoio governamental, que assume riscos em inovações, em parceria com empresas e institutos de pesquisa, como vital para viabilizar iniciativas genuinamente brasileiras com benefícios diretos e indiretos para as comunidades locais. Além da CTC, a iniciativa congrega um ecossistema robusto de colaboração, que inclui três instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) de peso – a Universidade Federal da Amazônia (UFAM), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) – e quatro empresas inovadoras: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.

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