As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 14% em maio deste ano, totalizando US$ 3,09 bilhões, na comparação com o mesmo mês do ano anterior (2025). Este recuo, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), marca a continuidade de uma tendência de declínio observada desde agosto do ano passado, período que coincidiu com a implementação de tarifas pelo governo dos EUA. As importações provenientes dos Estados Unidos também apresentaram retração, caindo 11% para US$ 3,21 bilhões, o que resultou em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil no mês.
Apesar do cenário de contração, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, adverte que é prematuro concluir uma mudança estrutural nas relações comerciais entre os dois países. Segundo Brandão, os fluxos do comércio exterior demandam tempo para adaptação, e a composição da pauta – com destaque para petróleo, celulose, combustíveis, carne e café – pode influenciar a resiliência ou vulnerabilidade a choques de custo. Após picos de queda de 35% em outubro e 26% em janeiro, a intensidade da retração havia se moderado para 10% em março e abril, antes de um novo aumento para 14% em maio. No acumulado de janeiro a maio, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 14,01 bilhões, uma queda de 16%, enquanto as importações atingiram US$ 15,48 bilhões (-12,6%), gerando um déficit acumulado de US$ 1,47 bilhão. A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também diminuiu, passando de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio deste ano.
Em contraste direto com o desempenho para os EUA, a China consolidou sua posição como o principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o mercado chinês cresceram 9,5%, alcançando expressivos US$ 10,5 bilhões. As importações da China avançaram 24,2% (US$ 6,8 bilhões), resultando em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês. Nos primeiros cinco meses do ano, o fluxo comercial com a China impulsionou significativamente o saldo positivo: exportações de US$ 43,26 bilhões (+21,8%) e importações de US$ 30,76 bilhões (+4,1%), com um superávit acumulado de US$ 15,5 bilhões. A fatia chinesa na pauta exportadora brasileira expandiu de 32,1% para 32,9% nesse período. O Mdic também destacou o papel dos combustíveis derivados de petróleo, cuja exportação cresceu 75,2% em volume e 49,8% em valor em maio, impulsionada por choques de oferta ligados ao conflito no Oriente Médio. Apesar de uma queda nas exportações de petróleo bruto (-9,3% em valor e -42,1% em volume), Brandão classificou o movimento como pontual e desvinculado do imposto de exportação, reafirmando a competitividade do Brasil e a continuidade dos investimentos, exemplificada pela entrada em operação de uma nova plataforma de produção em fevereiro. Graças a essa dinâmica favorável com a China e ao bom desempenho de commodities e produtos de energia, o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, superando os US$ 24,33 bilhões do mesmo período do ano passado.

